A ansiedade é uma emoção natural do ser , que se manifesta como uma preocupação intensa, tensão e nervosismo em resposta a uma ameaça percebida. Em situações pontuais, ela pode ser benéfica, nos ajudando a reagir a perigos, a nos preparar para desafios ou a cumprir prazos. No entanto, quando essa preocupação se torna excessiva, persistente e desproporcional à situação real, pode se tornar um transtorno.
Como a ansiedade se manifesta e seus sintomas?
A ansiedade pode se manifestar de diversas formas, sendo que os sintomas variam de pessoa para pessoa. Eles podem ser físicos, emocionais e cognitivos.
Sintomas Físicos
Frequência cardíaca acelerada (taquicardia);
Palpitações;
Respiração ofegante ou falta de ar;
Tensão muscular e tremores;
Suor excessivo;
Dor no peito;
Náuseas ou dor de estômago;
Tontura ou vertigem;
Dificuldade para dormir (insônia)
Sintomas Emocionais
Sensação de perigo iminente
Nervosismo;
Inquietação
Irritabilidade
Sentimento de impotência;
🥺Medo de perder o controle ou enlouquecer;
Sintomas Cognitivos
Preocupação constante e incontrolável;
Dificuldade de concentração e memória;
Pensamentos acelerados;
Antecipação do pior cenário possível;
Incapacidade de relaxar
Dados estatísticos sobre a ansiedade no Brasil e no mundo
A ansiedade é um dos transtornos mentais mais comuns globalmente. O Brasil, infelizmente, ocupa uma posição de destaque nesse cenário.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 4% da população mundial vive com algum transtorno de ansiedade.
Segundo a OMS, o Brasil tem a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade do mundo, com 9,3% da população afetada. Isso equivale a aproximadamente 18,6 milhões de brasileiros.
Esses dados reforçam a necessidade de atenção e cuidado com a saúde mental no país.
Causas da ansiedade
A ansiedade não tem uma única causa. Geralmente, ela é o resultado da interação de diversos fatores.
1 – Fatores Biológicos
Genética – Ter um histórico familiar de transtornos de ansiedade pode aumentar a predisposição de uma pessoa para desenvolver a condição.
Neuroquímica – Alterações nos neurotransmissores do cérebro, como a serotonina, a dopamina e o GABA, podem influenciar o humor e a regulação da ansiedade.
2 – Fatores Psicológicos
Traumas – Experiências traumáticas, como acidentes, violência ou perdas significativas, podem desencadear a ansiedade.
Padrões de pensamento – Pessoas com padrões de pensamento negativos, perfeccionistas ou que se preocupam excessivamente tendem a ser mais vulneráveis.
Estilo de enfrentamento – A forma como a pessoa lida com o estresse e as dificuldades da vida também tem grande influência.
3 – Fatores Sociais
Estresse Crônico – O estresse contínuo no trabalho, na família ou em outras áreas da vida é um fator de risco.
Pressão social – A necessidade de se encaixar em padrões, o medo de ser julgado ou a competitividade podem contribuir para o desenvolvimento da ansiedade.
Eventos de vida – Mudanças importantes na vida, como a perda de um emprego, o fim de um relacionamento ou a mudança de cidade, podem desencadear ou agravar a ansiedade.
Tratamento da ansiedade
O tratamento da ansiedade é multifacetado, e o ideal é que seja conduzido por uma equipe de saúde mental.
1 – Tratamento padrão ouro na psicologia
O tratamento mais eficaz para os transtornos de ansiedade na psicologia é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC ajuda o paciente a identificar e desafiar padrões de pensamento negativos e disfuncionais, além de desenvolver habilidades de enfrentamento mais saudáveis. A terapia pode ser complementada com técnicas de relaxamento, exposição gradual a situações temidas e outras estratégias.
2 – Tratamentos médico psiquiátrico
Em alguns casos, a ansiedade pode ser tão intensa que exige a intervenção de um psiquiatra para o uso de medicamentos. Eles atuam no reequilíbrio dos neurotransmissores do cérebro. Os medicamentos mais comuns para o tratamento da ansiedade são:
2.1 – Antidepressivos – Em doses específicas, atuam na regulação de neurotransmissores como a serotonina, ajudando a diminuir a intensidade da ansiedade e a estabilizar o humor.
2.2 – Ansiolíticos (benzodiazepínicos) – Geralmente são usados para aliviar os sintomas agudos de ansiedade, mas o seu uso deve ser monitorado de perto por um médico, pois podem causar dependência.
3 – A importância da mudança no estilo de vida
Além da terapia e dos medicamentos, a mudança de hábitos e a adoção de um estilo de vida mais saudável são cruciais para o manejo da ansiedade a longo prazo.
3.1 – Exercícios Físicos – A atividade física regular libera endorfinas, que são hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar, e ajuda a reduzir a tensão muscular.
3.2 – Alimentação Equilibrada – Uma dieta rica em nutrientes e a redução do consumo de cafeína e álcool podem ajudar a estabilizar o humor e diminuir os sintomas da ansiedade.
3.3 – Qualidade do Sono – A insônia é um sintoma comum da ansiedade, e uma boa rotina de sono pode fazer uma grande diferença.
3.4 – Técnicas de Relaxamento – Meditação, mindfulness, yoga e exercícios de respiração profunda podem ajudar a acalmar a mente e o corpo.
3.5 – Limitar Informações Negativas – Reduzir a exposição a notícias estressantes ou a redes sociais pode diminuir a sensação de sobrecarga e o estado de alerta constante.
Em resumo, a ansiedade é um problema de saúde mental sério, mas que tem tratamento. A combinação de uma abordagem profissional com mudanças no estilo de vida é a melhor forma de recuperar o controle e viver com mais tranquilidade.
“Esteja no presente”
Eliege Vasconcelos
Psicóloga – CRP 05/80809